sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Não posso me apaixonar! - Cap. 3


Capítulo 3          

Matt, Maggie e Emily passaram por algumas pessoas que estavam na grama e na escada da casa apenas acendo com a cabeça. Já dentro da sala, dava para se notar que alguém tinha se esforçado muito para fazer daquele lugar o mais parecido possível de uma fraternidade. Com letras garrafais em uma parede onde parecia estar faltando um quadro estava escrito "Festa do Stifler", uma obvia menção ao filme e ao o que o dono da festa queria que ela se tornasse.  
                   "Encontro com vocês depois!" Matt se despediu das duas garotas um pouco seco e foi encontrar com alguns amigos que estavam na cozinha bebendo. "É impressão minha ou ele fechou a cara quando entramos?" Maggie pontuou estranhando o comportamento dele. "Aquela sentada ali fora é a Susan..." Emily comentou o mais baixo que conseguiu e fez um gesto em relação à parte da frente da casa. "A famosa Susan. Mas eles não estavam juntos? Digo, não foi por causa deles que você ficou chamando ele de idiota por um bom tempo quando falava comigo?" Ela indagou lembrando das histórias que a prima contava. "É complicado então não amola o Matt com isso, você tem milhões de outros motivos pra..." A loirinha perdeu a fala ao perceber a presença de Scott ao lado de uma garota que já parecia estar bastante bêbada. Os dois estavam segurando um copo de cerveja e rindo bastante. Scott fez questão de olhar para Maggie, quase ignorando a presença de Emily ali. "Oi, linda!" Ele falou com o máximo de charme que conseguiu e piscou para Maggie. "Oi. To vendo que já queimaram a largada né..." Ela piscou e acenou para a garota no ombro de Scott, que parecia nem ter notado seu tom irônico e ele apenas sorriu parecendo estar satisfeito com o comentário. 
                Maggie e Emily passaram pelos dois rindo e foram em direção a mesa com garrafas de bebidas mais próxima. A festa foi se tornando cada vez mais cheia e barulhenta. O chão já estava molhado, resultado de todas as pessoas bêbadas que deixavam seu copo cair. Maggie pegou uma garrafa de cerveja, deixou Emily conversando com uns amigos e foi para a parte traseira da casa, em direção ao lago. A visão dali não poderia ser mais bonita. Lua cheia, montanhas com neve em seu topo e um lindo lago que parecia não ter fim, um contraste perfeito. Ela viu alguém sentado na beira do lago e percebendo que era Matt resolveu ir até lá. "Não devia estar enchendo a cara com alguma garota e indo em direção a algum dos milhares quartos daquela casa?!" Maggie comentou com seu eterno tom irônico e se sentou ao lado dele. "A minha cerveja esta aqui, é tudo o que eu preciso. E você não deveria estar lá dentro dançando, se divertindo e provavelmente caindo?!" Ele devolveu a ironia enquanto a observava rir. "Até que essa cidade tem suas qualidades. Tudo aqui é muito... belo." Ela respondeu sem se importar muito com a piada, para a surpresa de Matt, que apenas continuou a olhar para ela. "Maggie Grant já esta cedendo aos encantos de Georgetown?" Ele estranhou o comportamento sério dela. "Não se anime tanto, Miller. Se eu pudesse, saia daqui em dois segundos. Então, vai me falar porque ficou com aquela cara quando entramos aqui?" Ela olhou em seus olhos pela primeira vez aquela noite. "Vai me falar o que aconteceu pra você ser mandada pra cá?" Ele desconversou como pode. A verdade é que ficava um pouco nervoso tanto com o assunto, como com aquela proximidade toda com ela. 
                 Percebendo que Matt ficou estranho de repente ela tentou pegar leve e resolveu que iria jogar conforme a musica dele. "Talvez, mas você me responde primeiro." Ela sorriu e se sentou de frente para ele, focando seus olhos nos dele, queria realmente saber o que estava o incomodando tanto. "Eu só... não queria ter visto o que eu vi." Ele escolheu não entrar muito no assunto esperando que ela deixasse pra lá. "Fala daquela tal Susan né? A Emily comentou algo sobre vocês e que era complicado e que eu não deveria te encher com isso hoje." Ela deu de ombros para o conselho da loirinha. "E mesmo assim você esta aqui me perturbando com isso, não é?" Ele sorriu com a expressão feita por Maggie. Sabia que ela nunca deixaria um assunto pela metade e poderia apostar qualquer coisa que ela estava super curiosa sobre seu passado. "Não dê uma de espertinho comigo e aproveita que ainda estou sendo simpática e sutil." Ela sorriu com o canto da boca, ainda esperando uma resposta descente dele. "Claro, como um tiro no silêncio!" Matt sorriu ao olhar o rosto de Maggie, simplesmente não podia perder a oportunidade de implicar com ela. 
            Maggie, se possível, poderia metralhar Matt com seu olhar. Ele apenas se divertia em deixa-la com raiva. O clima estranho pairava no ar enquanto os dois se olhavam, o sorriso não saia do rosto de nenhum e assim era impossível saber o que cada um estava pensando. Maggie decidiu acabar de uma vez com o silencio que a deixava tão desconfortável. "Tem como você parar de me enrolar?" Ela franziu a testa. "É... complicado. Agora me fala porque veio pra cá." Matt sabia que a curiosidade dela não ia se saciar com apenas isso, mas achava uma graça quando ela ficava perplexa. "O acordo é você contar então, se quiser saber o que aconteceu comigo, me fala o que houve entre vocês." Ela deu seu ultimato, sabendo que no fim ele iria ceder. "Eu disse que gostava dela, ela disse o mesmo, ficamos juntos e um terceiro cara apareceu, aquele cara que estava com ela na escada. Fim!" 
Matt apenas virou para frente e deu uma longa golada em sua cerveja. Maggie entendeu que aquilo não era um assunto que ele curtia em falar, também quem gosta de admitir esse tipo de coisa. Ela só ia conseguir quebrar o clima ruim de um jeito, implicando. "Você não é do tipo detalhista, né." Ela esperou um sorriso dele e ficou feliz consigo mesma quando viu que o conseguiu. "Não sou do tipo tagarela, que você quer dizer. Sua vez." Não foi sua melhor piada mas pelo menos a fez rir. "Fui pega numa festa "extra-oficial" dentro de uma sala. Quando o diretor interrogou sobre de quem era a garrafa um cara me dedurou. Quando o próprio diretor veio falar comigo eu fiz alguma piada idiota que, com certeza, ele não entendeu e por isso me expulsou. Meu pai ficou maluco e me colocou de castigo pro resto da minha vida. Então ele me mandou direto pra esse fim de mundo. Fim!" Ela apenas deu de ombros. "É uma bela história. Sua cara, com certeza." Os dois riram bastante. Matt sempre fazia Maggie rir, mesmo a conhecendo há tão pouco tempo. 
            De repente ela se virou para ele com um olhar mais sério, novamente ele não sabia como reagir direito quando ela fazia isso. "Pelo menos me divirto. Você esta aqui, apenas emburrado com uma coisa que já passou em vez fazer alguma coisa..." Maggie estava sendo Maggie. Matt deu um sorriso sarcástico e também se virou para ela. Porque ela sempre tinha que dizer a primeira coisa que vinha a cabeça? "Sempre tem uma resposta na ponta da língua, não?" Ele a encarou, e ela tentou não se distrair com o sorriso no rosto dele. "É sério. Você precisa fazer alguma coisa, ficar se lamentando não adianta de nada. Você pode correr atrás dela ou deixar toda essa besteira pra trás. Apenas escolha uma opção e mande ver." Ela tentou ser o mais simpática possível, mas não acreditava muito em seu sucesso. "Pode ser, mas agora tenho outra pergunta. O que esta fazendo com um cara como o Scott. É má influência!" Matt não estava gostando do rumo daquela conversa e preferiu mudar de assunto. "Não acho que ele seja má pessoa." Maggie não entendia o que ele queria com aquele tipo de pergunta. "Na verdade, eu estava falando de você!" Ele apenas riu quando viu o rosto dela ficar vermelho de raiva. "Isso era pra ser uma piada? Além do mais, eu só estou me divertindo um pouco." Ela fez questão de provoca-lo. 
"Só cuidado, o cara pode ser maluco às vezes. Na quadra de basquete, já vi ele jogar um cara no chão como se estivesse em um ringue." Matt não gostou nada da resposta de Maggie, ela estava querendo o irritar? Ele tentou disfarçar o máximo a sua reação. "Se eu não te conhecesse bem, diria que você esta preocupado comigo!"  Ela rebateu, para a surpresa dele. O sorriso que não saia do rosto dela não o agradava em nada. Ela sabia que estava ganhando. "Preocupado com você? Estou preocupado com o Scott. Tenho pena dele se fizer alguma besteira e você descobrir, se você já é desse jeito normal, imagina com raiva." Ele imaginou que se naquela hora tivesse um juiz ele provavelmente iria gritar gol. O sorriso abriu em sua boca imaginando a cena. "Está fazendo algum número de palhaço que eu não saiba? Porque se estiver, posso dizer em primeira mão que essa não é sua vocação." Seguindo sua imaginação, agora o juiz iria dar gol pro outro time. Os dois riram um do outro. 
            Matt se levantou e segurando a mão de Maggie a ajudou a ficar de pé. Os dois se encararam por um instante, o clima se instaurava de novo. Maggie se sentiu estranha, mesmo sem saber o porque. Achou que aquela era a sua deixa e decidiu que era melhor entrar na casa. Antes que pudesse dar o segundo passo Matt a segurou pelo braço, impedindo-a de ir embora naquele momento. "Vamos fazer um brinde!" Ele ergueu sua garrafa e olhou pra ela. "A sua carreira de palhaço?" Maggie não resistiu, mas pelo menos conseguiu arrancar um grande sorriso dele. "Não, espertinha! Ao nosso passado, que todas as besteiras fiquem nele e não nos assombrem mais!" Os dois brindaram. "Ao nosso passado!" Ela concordou.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Não posso me apaixonar! - Cap. 2


Capítulo 2 
 

         O primeiro dia de volta as aulas de Georgetown High School costuma ser um dia de reencontro entre amigos, onde todos conversam sobre o que fizeram nas férias ou onde foram, mas não para Maggie. Por ser nova na cidade ela não conhecia ninguém além de sua prima e Matt e, na verdade, estava pouco interessada em conhecer alguém daquele lugar.

         Emily parou seu carro no estacionamento do colégio e ela e Maggie foram em direção ao portão principal do prédio. "Aqui não é tão ruim assim..." A loirinha estava tentando animar sua prima, sem muito sucesso. "Só o fato do meu pai ter me obrigado a sair do meu colégio, sair da minha cidade e deixar todo mundo que eu conheço pra vir pra cá já faz daqui um lugar ruim." A morena rebateu olhando para os outros alunos que a encaravam. "Tecnicamente ele não te tirou do colégio, você foi expulsa!" Emily disse logo se arrependendo ao ver o olhar de reprovação de Maggie. "Isso é apenas um detalhe... e você esta do lado de quem afinal?" Ela deu uma piscada seguida de uma risada.

         As duas continuaram caminhando e rindo até o portão. Emily cumprimentou algumas pessoas no caminho balançando a cabeça e depois elas entraram no colégio. Depois de todas as aulas terem terminado elas voltaram ao estacionamento e ficaram esperando Matt aparecer.

"Temos mesmo que esperar ele?" Maggie já estava impaciente com aquela demora. "Você podia ser um pouco menos rabugenta, não acha?" Emily riu tentando fazer a prima sorrir um pouco. "Você podia ser um pouco menos... qual a palavra mesmo?" Ela levou a mão no queixo como se tentasse lembrar de algo. "Linda, inteligente, simpática?!" Emily a encarou com um largo sorriso no rosto. "Não, Burra! Ele tinha Dodge, pelo o que eu me lembre, se é que pode chamar aquilo de carro." Maggie sorriu pra si mesma ao lembrar do carro de Matt que viu naquela manhã que, se possível, achava que ele conseguia ficar ainda mais bonito com ele. "Ele tem, só que esta ruim ou no mecânico, sei lá. Aliás, não custa nada dar uma carona a ele..." As palavras da loirinha se perderam quando ela viu uma Range Rover preta aparecer do outro lado do estacionamento, o carro veio em direção das duas e parou ao lado de Maggie.

No volante estava Scott Daves, um dos melhores jogadores de basquete do colégio, com seus cabelos loiros e bonitos olhos castanhos claros. Ele abriu a porta e saiu cumprimentando Emily com um aceno e se encostou à porta do carro olhando para Maggie. "Oi, linda. Pensei que não gostasse desse lugar, porque ainda esta aqui?" Ele estava com um olhar que parecia que poderia engolir Maggie naquele lugar, ali e agora. Ela olhou para a expressão de Scott sem deixar se intimar e respondeu com um sorriso no rosto. "Até estou tentando sair, mas estou esperando um atrasadinho chegar."

         Emily ficou estagnada observando os dois com um olhar de curiosidade e ficou um pouco perplexa por não saber como os dois já se conheciam. Matt apareceu saindo do colégio e caminhando em direção ao grupo. Naquele momento era quase impossível dizer qual dos dois era mais bonito contra a luz do sol ao entardecer o dia.

"Então, vamos." Disse ele, notando o olhar de Maggie. "Estava perdido ou gosta de fazer as pessoas de idiotas?" Ela logo rebateu. "Estava conversando com um pessoal e só demorei dez minutos, no máximo." Ele continuo a ver a expressão dela, que não sofreu nenhuma mudança. "Ótimo, da próxima vez avisa antes pra eu comprar uma revista!" Ela paralisou um sorriso irônico no rosto esperando a próxima frase estúpida que sairia da boca dele. "Porque sempre que eu te encontro esta desse jeito?" Ele sorriu e, mesmo não querendo, tinha que admitir que ela ficava mais bonita com raiva. "Que jeito?"

         Maggie ficou esperando uma resposta de Matt. Ele apenas continuou sorrindo e os dois ficaram se encarando durando algum tempo. Emily olhou para os dois e se perguntou, novamente, o porque daquele clima estranho, ela podia jurar que nem o vento estava soprando naquela hora só para não ficar entre os dois. Como aquilo estava virando um costume, resolveu se meter na conversa. "Gente, quero chegar em casa ainda hoje sabe..." Scott, também, sentindo o olhar estranho entre os dois, decidiu intervir. "Podemos fazer assim, eu posso levar a Maggie até em casa. Juro, que te deixo em são e salva." Ele piscou uma vez em direção ao Matt e voltou sua atenção para Maggie com um sorriso estampado no rosto. "Ótima ideia, nós tínhamos que fazer aquele trabalho de... alguma coisa de qualquer jeito." Ela respondeu de prontidão já se encaminhando para o carro de Scott. "Mas que trabalho?" Enquanto Emily falava para o vento, Maggie e Scott entraram no Range Rover rindo e saíram do estacionamento. Matt e Emily ficaram estagnados em frente ao seu carro olhando os dois irem embora. "Não sabia que sua prima conhecia o Scott. Não acho uma boa idéia ela se mandar assim com ele. "Ele falou ainda incomodado com a saída repentina de Maggie, e logo com o cara mais errado possível. "Bem-vindo ao clube."  Emily concordou.



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         A noite tinha caído na cidade e já se podia ver o contraste das luzes acesas de todas as casas com o tom escuro das montanhas. Naquele momento, Maggie e Emily estavam em casa conversando. Maggie estava com seu discurso pronto do porque as duas deveriam sair aquela noite. "É apenas uma festa. Eu já estou nessa cidade há uma semana e acho que a coisa mais divertida que eu fiz até agora foi fazer do meu hobbies atormentar a vida do Matt." Ela sorriu esperando uma resposta positiva ao convite. "Que alias, esta se saindo muito bem!" Emily respondeu tentando se esquivar da proposta. Infelizmente ela sabia que sua prima não iria desistir tão fácil. "Claro! Mas preciso fazer algo além disso... e você não vai fazer nada hoje. É muito triste fazer nada num sábado." Ela tentou fazer a sua melhor cara de cão sem dono, enquanto se deparava com um olhar engraçado de Emily. "Triste é ir numa festa quando você nem foi convidada. Aliás, queria ficar em casa hoje mesmo, talvez ver uns filmes..." Parecia que sua tentativa de convencer Maggie de que não estava interessada em sair essa noite não estava indo muito bem e a confirmação da sua ideia veio logo depois. "Vamos parar com isso, você é minha prima e nessa família só andamos em bando, como leões." As duas se encararam e começaram a rir com a linha de raciocínio que Maggie tinha. "Um bando de dois?" Emily respondeu com dificuldade em falar entre suas gargalhadas.

         As duas continuavam sua disputa sobre o que fazer e riam bastante com as frases mirabolantes de Maggie quando perceberam que alguém estava batendo na porta. Emily levantou e quando foi abri-la viu Matt parado do lado de fora. "Você também não, me diz que você não vai nessa festa!" Disse quase implorando para que ele não estivesse ali com o propósito de também chamá-la pra sair. "Eu juro que ela me obrigou, ameaçou até furar os pneus do meu carro." Ele  respondeu já indo em direção a sala, onde se sentou na cadeira em frente a Maggie e sorriu pra ela. "Primeiro que você não deveria chamar aquilo de carro e, segundo que, se até ele vai, isso praticamente te obriga a ir, Mily." Maggie piscou para Matt e voltou sua atenção para Emily."Eu prometo que vai ser divertido, e se você não gostar o Matt pode te trazer na hora." Ela sorriu com a esperança de sua prima finalmente ceder. Emily olhou para a cara de pidona estampada em seu rosto e Matt a acompanhou. Por um momento, Emily achou os dois uma graça e não sabia se respondia algo ou simplesmente ria com aquela cena. "Se eu não gostar eu volto pra casa..."

         Sendo dois contra um, Emily acabou cedendo e foi para o quarto se arrumar. Depois de tudo pronto, os três entraram no Dodge de Matt e foram em direção da casa de Scott Daves. Sua casa ficava ao lado de um pequeno lago e um pouco distante da casa mais próxima. Mesmo assim, o som vindo dali dava para ser escutado de bem longe. Matt estacionou seu carro ao lado de vários outros, o que dava a impressão de que a festa já devia estar cheia. Os três desceram e foram caminhando ate a sacada da casa de Scott. "Espero que valha a pena mesmo." Emily comentou ao se deparar com a parte frontal da casa tomada por uma multidão. "É apenas uma festa de cidade pequena. O que pode dar errado?" Maggie abriu um sorriso com a imagem de todas aquelas pessoas dançando e conversando, por um instante se sentiu em casa, ou na porta do seu pub preferido.
         Emily estava com um olhar de curiosidade para toda aquela situação, não costumava ir nessas festas que mais pareciam de fraternidade, mas estava aberta a idéia de se divertir como uma garota normal. Maggie estava admirada de como tudo aquilo parecia familiar e estava pronta pra ver o verdadeiro potencial de Georgetown. Já Matt pareceu ignorar tudo e abriu um grande sorriso quando percebeu quem estava sentada na sacada, Susan. Susan Smith é uma jovem de cabelos escuros, olhos castanhos e um rosto memorável. Logo o sorriso no rosto dele sumiu quando ele viu com quem ela esta sentada.

 

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO

Não posso me apaixonar! - Cap. 1



Capítulo 1

Em uma pequena cidade chamada Georgetown, no estado do Colorado, quase todos os cidadãos se conhecem. É fácil para qualquer habitante reconhecer um “forasteiro”, e é exatamente isso que acontece quando Maggie Grant chega à cidade. Ela é jovem, mas sempre se sentiu mais madura e mais esperta do que à maioria de sua idade. Tem um corpo com curvas, alta, cabelos castanhos claros, olhos verdes e uma língua que muitos diriam ter vida própria. Dirigindo um carro com o som de The Script ás alturas, ela passou pela cidade em baixa velocidade e assim foi chamando atenção por todo o lugar.
"Não basta ficar perdida em uma cidadezinha, ainda por cima tem que estar com o celular descarregado. Boa, Grant!" Ela praguejou pra si mesma enquanto olhava de um lado a outro, procurando alguma placa ou informação que a ajudasse a se situar naquelas ruas. A poucos metros de onde estava ela viu um prédio alto e ao se aproximar conseguiu enxergar o nome escrito em um letreiro, Castle. Parando o carro em frente do que julgou ser um restaurante, ela decidiu perguntar como chegar a seu destino.
"Não pode ser pior do que toda essa gente me olhando como se eu estivesse saído direto do filme de Guerra nas Estrelas." Ela saiu do carro e entrou no local e logo se deparou com alguns grupos de jovens sentados em mesas, conversando, bebendo ou estudando.
"É bom ver que aqui não existe só velho! Vamos ver até onde meu rostinho bonito me leva." Disse se aproximando do balcão para perguntar a uma mulher se poderia usar o telefone.
"Não posso estar vendo direito, Maggie Grant em Georgetown?" Disse uma voz feminina atrás de Maggie.
 Emily Green era exatamente a pessoa a quem Maggie estava procurando, sua prima. A jovem tem uma estatura média, cabelos loiros e olhos azuis, mas a primeira característica que qualquer um olharia se a encontrasse seria seu sorriso.
"Muitos dizem que o fim do mundo está próximo mesmo!" Maggie se virou e sorriu ao ver um rosto familiar, e logo foi de em encontro aos braços abertos de Emily.
"Sério, não acredito que você esta aqui. Como e quando foi que chegou?" Ela disse abraçando forte sua prima e depois a olhou esperando uma resposta.
"Na verdade, cheguei faz um bom tempo. Andei umas dez vezes nessas ruas e parecia que elas não mudavam, nem ao menos as casas. Além de graça, essa cidade não tem criatividade?" Maggie riu com um ar debochado. Emily por um momento tinha se esquecido do humor da prima e riu para si mesma lembrando de como ela era divertida.
Uma garçonete se aproximou das duas e perguntou se elas gostariam de se sentar e comer ou beber alguma coisa.
Maggie foi se adiantando na pergunta e respondendo a moça "Sim, eu gostaria de..." E antes de se acomodar e terminar sua frase foi interrompida por Emily "Na verdade, como você não me avisou que estava vindo, eu prometi a senhora Miller que iria jantar na casa dela." Disse a loirinha, dando ênfase no parte de que não tinha sido avisada da visita.
"E esse convite vinha com plus one?" Disse encarando Emily por um momento e sorrindo com o canto da boca. "Tenho certeza que ela não vai se importar de você jantar lá também. Aliás, acho que ela vai adorar você." Emily já estava segurando a mão de Maggie e a puxando para a saída do lugar. "Sim, eu adoraria uma pessoa que se auto convida para jantar na minha casa." Ela revirou os olhos e riu sendo guiada pela prima.
            As duas saíram do Castle rindo e conversando até a rua, entraram no carro e foram em direção à casa dos Miller. Chegando lá, Emily desceu do carro perto da casa e Maggie foi estacionar o carro perto da calçada. Emily bateu na porta e Margaret Miller veio atendê-la. Alguns minutos depois Maggie estava entrando na casa e Emily apresentou as duas.
"Senhora Miller, essa é minha prima Maggie Grant. Ela acabou de chegar de Denver." Margaret já estava com a mão estendida em direção a Maggie e ela a cumprimentou no mesmo instante "É um prazer, bem-vinda a Georgetown. Espero que todos estejam a tratando bem." A senhora tinha uma aparência de ter um cinquenta anos, mas com uma certa doçura jovial no olhar. "Sim, claro. Desculpa aparecer de ultima hora, mas..." ela não teve tempo de terminar suas desculpas. "Não se preocupe querida, qualquer parente da Emily sempre será bem-vindo aqui."
            Margaret pediu que as meninas esperassem na sala enquanto terminava de fazer o jantar e as duas foram em direção ao sofá para se sentar.
"Hey, Emily." Disse Matt Miller, filho de Margaret, que estava descendo as escadas quando avistou sua amiga. Ele é um rapaz alto, moreno, de corpo musculoso e de lindos e profundos olhos azuis. Estava com uma camisa quadriculada de flanela vermelha e as mãos enfiadas em sua calça jeans.
"Oi, Matt." Emily pulou do sofá quando ouviu a voz do amigo, o encarou por uns segundos mas logo conseguiu sair do transe. "Está é minha prima, Maggie Grant de Denver." Matt olhou para Maggie e não conseguiu disfarçar o grande sorriso, ela era linda. Procurou formular uma boa frase já que ele tinha ficado sem fala assim que colocou os olhos nela.
"Não sabia que tinha família em Denver, Emily. Hey" Foi o melhor que ele conseguiu dizer diante dela. Maggie também o encarou uns instantes e tinha que admitir, ele era lindo. Ela o olhou com um tom de ironia e sorriu com o canto da boca. "Eu não sabia que essas blusas tinham voltado à moda. Acho que nós empatamos." Matt disfarçou um sorriso e franziu a testa sem entender muito bem se isso foi uma piada ou elogio, e continuou a encara-la.
Emily olhou para os dois lados, eles estavam se encarando a um tempo com um sorriso, no mínimo, estranho. Sentindo um clima estranho pela resposta mal educada de sua prima, ela decidiu intervir na conversa. "Eu e Maggie não nos vemos á um bom tempo, mas tenho certeza de que já falei dela pra você. Ela é a filha do meu tio Paul, que tem uma corretora de imóveis na cidade..."
Mesmo após a tentativa de Emily de apaziguar a casa, mesmo sem saber o porque daquele clima, as coisas não mudaram muito. Todos se sentaram a mesa e trocaram histórias engraçadas. Como sempre, as de Maggie eram sempre as mais hilárias e malucas. Matt prestava atenção a cada palavra que saia de sua boca, com uma expressão que não se podia saber se ele estava feliz ou assustado e permaneceu quase calado a refeição inteira.           
            Depois de jantarem, as duas se despediram de Matt e Margaret. Assim que elas saíram da casa, Emily imediatamente confrontou Maggie. "Porque você falou daquele jeito com o Matt? Ela perguntou com um tom de raiva e levantou a sobrancelha para Maggie. "Desculpa, mas eu sei que você ficou choramingando por aquele cara por um bom tempo, falando de como você gostava dele e ele não gostava de você e blá blá blá. E se bem me lembro, aquilo tudo só piorou quando o caipira decidiu se declarar para a tal Susan."
Naquele momento Emily se lembrou de que já tinha contado tudo sobre seu passado conturbado para Maggie "Mas ele não sabe e, além do mais, tudo isso ficou pra trás. Ele é meu melhor amigo e é muito importante pra mim que vocês dois, pessoas que eu amo, se gostem." Ela disse sorridente, enquanto analisava a cara de sua prima. "Não posso prometer nada..." Rebateu a morena revirando os olhos.
            O carro saiu e foi sumindo no meio da pista cheia de neve e das casas, quase todas iguais, até que não podia mais ser visto. Dentro da casa dos Miller, Matt ajudava sua mãe a lavar a louça. "O que achou da Maggie?" Margaret perguntou enquanto retirava o resto dos copos da mesa e levava em direção ao filho. "Não prestei muita atenção..." Ele respondeu seco e dando de ombros. "Eu a achei muito simpática, um pouco tagarela talvez, mas com histórias muito engraçadas."A senhora riu para si mesma ao se lembrar da história que a morena contou, onde tinha conseguido enganar toda a direção escolar dizendo que não poderia fazer educação física pois tinha um atestado médico, falso claro.
"Você quer dizer muito tagarela né. As histórias podiam ser engraçadas, mas todas tinham uma coisa em comum, ela fazendo loucuras. Não dá pra acreditar que as duas são primas. Maggie é tão.. tão.. nem sei o que ela é. Imagino ela passando como um furacão em cima de um lugar." Matt começou a rir sozinho imaginando que aquela seria a melhor definição da sua primeira impressão sobre a nova habitante da cidade. Margaret vendo a expressão do filho fez questão de se posicionar no assunto. "Você tem muita opinião pra quem não prestou atenção." A senhora riu com o franzir da testa e o sorriso irônico estampado no rosto de Matt.
            Apesar de ainda ser relativamente cedo, quase todas as casas já estavam com as luzes apagadas. O dia seguinte seria um grande dia, o dia da volta às aulas do Georgetown High School e último ano de Matt, Maggie e Emily.