quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Não posso me apaixonar! - Cap. 1



Capítulo 1

Em uma pequena cidade chamada Georgetown, no estado do Colorado, quase todos os cidadãos se conhecem. É fácil para qualquer habitante reconhecer um “forasteiro”, e é exatamente isso que acontece quando Maggie Grant chega à cidade. Ela é jovem, mas sempre se sentiu mais madura e mais esperta do que à maioria de sua idade. Tem um corpo com curvas, alta, cabelos castanhos claros, olhos verdes e uma língua que muitos diriam ter vida própria. Dirigindo um carro com o som de The Script ás alturas, ela passou pela cidade em baixa velocidade e assim foi chamando atenção por todo o lugar.
"Não basta ficar perdida em uma cidadezinha, ainda por cima tem que estar com o celular descarregado. Boa, Grant!" Ela praguejou pra si mesma enquanto olhava de um lado a outro, procurando alguma placa ou informação que a ajudasse a se situar naquelas ruas. A poucos metros de onde estava ela viu um prédio alto e ao se aproximar conseguiu enxergar o nome escrito em um letreiro, Castle. Parando o carro em frente do que julgou ser um restaurante, ela decidiu perguntar como chegar a seu destino.
"Não pode ser pior do que toda essa gente me olhando como se eu estivesse saído direto do filme de Guerra nas Estrelas." Ela saiu do carro e entrou no local e logo se deparou com alguns grupos de jovens sentados em mesas, conversando, bebendo ou estudando.
"É bom ver que aqui não existe só velho! Vamos ver até onde meu rostinho bonito me leva." Disse se aproximando do balcão para perguntar a uma mulher se poderia usar o telefone.
"Não posso estar vendo direito, Maggie Grant em Georgetown?" Disse uma voz feminina atrás de Maggie.
 Emily Green era exatamente a pessoa a quem Maggie estava procurando, sua prima. A jovem tem uma estatura média, cabelos loiros e olhos azuis, mas a primeira característica que qualquer um olharia se a encontrasse seria seu sorriso.
"Muitos dizem que o fim do mundo está próximo mesmo!" Maggie se virou e sorriu ao ver um rosto familiar, e logo foi de em encontro aos braços abertos de Emily.
"Sério, não acredito que você esta aqui. Como e quando foi que chegou?" Ela disse abraçando forte sua prima e depois a olhou esperando uma resposta.
"Na verdade, cheguei faz um bom tempo. Andei umas dez vezes nessas ruas e parecia que elas não mudavam, nem ao menos as casas. Além de graça, essa cidade não tem criatividade?" Maggie riu com um ar debochado. Emily por um momento tinha se esquecido do humor da prima e riu para si mesma lembrando de como ela era divertida.
Uma garçonete se aproximou das duas e perguntou se elas gostariam de se sentar e comer ou beber alguma coisa.
Maggie foi se adiantando na pergunta e respondendo a moça "Sim, eu gostaria de..." E antes de se acomodar e terminar sua frase foi interrompida por Emily "Na verdade, como você não me avisou que estava vindo, eu prometi a senhora Miller que iria jantar na casa dela." Disse a loirinha, dando ênfase no parte de que não tinha sido avisada da visita.
"E esse convite vinha com plus one?" Disse encarando Emily por um momento e sorrindo com o canto da boca. "Tenho certeza que ela não vai se importar de você jantar lá também. Aliás, acho que ela vai adorar você." Emily já estava segurando a mão de Maggie e a puxando para a saída do lugar. "Sim, eu adoraria uma pessoa que se auto convida para jantar na minha casa." Ela revirou os olhos e riu sendo guiada pela prima.
            As duas saíram do Castle rindo e conversando até a rua, entraram no carro e foram em direção à casa dos Miller. Chegando lá, Emily desceu do carro perto da casa e Maggie foi estacionar o carro perto da calçada. Emily bateu na porta e Margaret Miller veio atendê-la. Alguns minutos depois Maggie estava entrando na casa e Emily apresentou as duas.
"Senhora Miller, essa é minha prima Maggie Grant. Ela acabou de chegar de Denver." Margaret já estava com a mão estendida em direção a Maggie e ela a cumprimentou no mesmo instante "É um prazer, bem-vinda a Georgetown. Espero que todos estejam a tratando bem." A senhora tinha uma aparência de ter um cinquenta anos, mas com uma certa doçura jovial no olhar. "Sim, claro. Desculpa aparecer de ultima hora, mas..." ela não teve tempo de terminar suas desculpas. "Não se preocupe querida, qualquer parente da Emily sempre será bem-vindo aqui."
            Margaret pediu que as meninas esperassem na sala enquanto terminava de fazer o jantar e as duas foram em direção ao sofá para se sentar.
"Hey, Emily." Disse Matt Miller, filho de Margaret, que estava descendo as escadas quando avistou sua amiga. Ele é um rapaz alto, moreno, de corpo musculoso e de lindos e profundos olhos azuis. Estava com uma camisa quadriculada de flanela vermelha e as mãos enfiadas em sua calça jeans.
"Oi, Matt." Emily pulou do sofá quando ouviu a voz do amigo, o encarou por uns segundos mas logo conseguiu sair do transe. "Está é minha prima, Maggie Grant de Denver." Matt olhou para Maggie e não conseguiu disfarçar o grande sorriso, ela era linda. Procurou formular uma boa frase já que ele tinha ficado sem fala assim que colocou os olhos nela.
"Não sabia que tinha família em Denver, Emily. Hey" Foi o melhor que ele conseguiu dizer diante dela. Maggie também o encarou uns instantes e tinha que admitir, ele era lindo. Ela o olhou com um tom de ironia e sorriu com o canto da boca. "Eu não sabia que essas blusas tinham voltado à moda. Acho que nós empatamos." Matt disfarçou um sorriso e franziu a testa sem entender muito bem se isso foi uma piada ou elogio, e continuou a encara-la.
Emily olhou para os dois lados, eles estavam se encarando a um tempo com um sorriso, no mínimo, estranho. Sentindo um clima estranho pela resposta mal educada de sua prima, ela decidiu intervir na conversa. "Eu e Maggie não nos vemos á um bom tempo, mas tenho certeza de que já falei dela pra você. Ela é a filha do meu tio Paul, que tem uma corretora de imóveis na cidade..."
Mesmo após a tentativa de Emily de apaziguar a casa, mesmo sem saber o porque daquele clima, as coisas não mudaram muito. Todos se sentaram a mesa e trocaram histórias engraçadas. Como sempre, as de Maggie eram sempre as mais hilárias e malucas. Matt prestava atenção a cada palavra que saia de sua boca, com uma expressão que não se podia saber se ele estava feliz ou assustado e permaneceu quase calado a refeição inteira.           
            Depois de jantarem, as duas se despediram de Matt e Margaret. Assim que elas saíram da casa, Emily imediatamente confrontou Maggie. "Porque você falou daquele jeito com o Matt? Ela perguntou com um tom de raiva e levantou a sobrancelha para Maggie. "Desculpa, mas eu sei que você ficou choramingando por aquele cara por um bom tempo, falando de como você gostava dele e ele não gostava de você e blá blá blá. E se bem me lembro, aquilo tudo só piorou quando o caipira decidiu se declarar para a tal Susan."
Naquele momento Emily se lembrou de que já tinha contado tudo sobre seu passado conturbado para Maggie "Mas ele não sabe e, além do mais, tudo isso ficou pra trás. Ele é meu melhor amigo e é muito importante pra mim que vocês dois, pessoas que eu amo, se gostem." Ela disse sorridente, enquanto analisava a cara de sua prima. "Não posso prometer nada..." Rebateu a morena revirando os olhos.
            O carro saiu e foi sumindo no meio da pista cheia de neve e das casas, quase todas iguais, até que não podia mais ser visto. Dentro da casa dos Miller, Matt ajudava sua mãe a lavar a louça. "O que achou da Maggie?" Margaret perguntou enquanto retirava o resto dos copos da mesa e levava em direção ao filho. "Não prestei muita atenção..." Ele respondeu seco e dando de ombros. "Eu a achei muito simpática, um pouco tagarela talvez, mas com histórias muito engraçadas."A senhora riu para si mesma ao se lembrar da história que a morena contou, onde tinha conseguido enganar toda a direção escolar dizendo que não poderia fazer educação física pois tinha um atestado médico, falso claro.
"Você quer dizer muito tagarela né. As histórias podiam ser engraçadas, mas todas tinham uma coisa em comum, ela fazendo loucuras. Não dá pra acreditar que as duas são primas. Maggie é tão.. tão.. nem sei o que ela é. Imagino ela passando como um furacão em cima de um lugar." Matt começou a rir sozinho imaginando que aquela seria a melhor definição da sua primeira impressão sobre a nova habitante da cidade. Margaret vendo a expressão do filho fez questão de se posicionar no assunto. "Você tem muita opinião pra quem não prestou atenção." A senhora riu com o franzir da testa e o sorriso irônico estampado no rosto de Matt.
            Apesar de ainda ser relativamente cedo, quase todas as casas já estavam com as luzes apagadas. O dia seguinte seria um grande dia, o dia da volta às aulas do Georgetown High School e último ano de Matt, Maggie e Emily.

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